Tarot ou Tarô: Qual a forma correta de escrita?

A escrita é Tarot ou Tarô?

Recentemente em um roda de amigos, entre novatos, leigos e experientes estudantes de tarô, surgiu um velha discussão: a escrita é Tarot ou Tarô? Frequentemente essa questão é feita em fóruns, sites e encontros e o assunto retorna a estera do que é “certo ou errado”.

Longe de ser o melhor para falar de línguas, é preciso advertir que em minha visão pessoal, baseada em meus estudos, experiência e gostos, não existe em qualquer língua o CERTO/ERRADO: Tudo é uma questão de contexto. Sem sombra de dúvidas há momentos adequados e inadequados para determinados “tipos” de linguagem.

Posso afirmar, com quase certeza, que você não usará – não deveria, pelo menos – o mesmo linguajar em uma entrevista de emprego, tal qual usaria numa roda de amigos.

Pois bem, é certo que a Norma Culta da Língua tem um motivo para existir, e não sendo linguista e muito menos professor da área, não me aprofundarei nele. Ainda assim, mesmo servido ao seu proposito (tornar a comunicação coerente, coesa e compreensível), há forma e formas de se comunicar, e certamente na própria língua há diversas delas, por isso, quando escrevo esse texto, faço para que fique esclarecido que em minha visão, pessoal, a forma como escrevemos e falamos, não deve ser vista de maneira tão “coloquial e restritiva”, mas é claro, devemos nos ater ao minimo das regras que tornarão nossa comunicação (escrita ou falada) compreensível.

Tendo exposto meu ponto de vista, acerca da língua, sigamos em frente e vamos responder a pergunta: Qual a forma adequada, Tarô ou Tarot?

No geral, quando se aportuguesa uma palavra de outro idioma, há regras de grafias que facilitarão a pronuncia e o entendimento do mesmo… Não seria diferente, portanto com o Tarô.

A primeira publicação no Brasil, que trate do assunto data do inicio do sec. XX, originária do Francês. Por regra, toda palavra desse idioma, ao ser aportuguesada, com terminações em ot deveriam ser grafadas apenas com a vogal o, visto que em francês não se pronuncia o fonema t final. Caso fosse uma palavra em inglês, a regra seria a mesma, mas sofreria diferença na tonicidade, em francês a palavra tarot é oxítona [ta’Ro] e no inglês é paroxítona [’taro].

No Brasil, os filólogos da Academia Brasileira de Letras registram no VOLP (vocabulário ortográfico da língua portuguesa) as palavras de nossa língua que, posteriormente, são explicadas em dicionários, assim esse órgão estabelece a NGB: nomenclatura gramatical brasileira, que regerá determinadas regras. Seguindo a NGB sabemos que as palavras oxítonas terminadas em -a, -e ou -o, seguidas ou não de -s, devem ser acentuadas graficamente. Assim, tarot tornou-se tarô — o mesmo caso de tricot= tricô, pierrot = pierrô, bistrot = bistrô e no VOLP fica registrado a palavra tarô (e não tarot).

Portanto, pela norma culta, a grafia adequada é mesmo tarô… Isso implica em dizer que você deve obrigatoriamente usar essa grafia? Na teoria sim, ao menos em publicações que sejam rígidas a essa regra. Na prática? Você vai acabar usando o que preferir…

No entanto, a língua é também patrimônio, e creio ser preciso termos cuidados ao se grafar determinadas palavras, jamais usando somente seu gosto pessoal, mas respeitando as regras e normas vigentes da língua. Até onde sei, apenas em Portugal pode-se grafar ambas as formas como adequadas.

No Chá com Tarô (obvio né?) você me “lerá” apenas com Tarô e jamais Tarot

Para deixar claro, o que expliquei aqui serve como base de conhecimento, jamais vou dizer que é estritamente correto ou errado o uso de tarot ao invés de tarô, você é livre para usar o que preferir, se eu ou outro tarólogo, vamos achar adequado ou não, é uma opinião nossa!

E você como grafa tarô e por qual motivo?
Vem tomar um chá comigo e vamos debater!

Sebastian Baltazar

 

Photo credit: Just Marti via Visualhunt.com / CC BY-NC-ND

Comentários

comments

Related Posts